· Dra. Valéria Rossato · Dermatologia · Acne – entendendo além do básico |
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Acne – entendendo além do básico

18 de agosto de 2021

Acne – entendendo além do básico

A acne, popularmente conhecida como espinhas, acomete de 40 a 90% dos adolescentes. Pode se estender até a vida adulta ou pode até mesmo iniciar na vida adulta, apesar de mais comumente iniciar em torno de 11-12 anos. Apesar de não ser uma doença grave, é extremamente angustiante para alguns pacientes, desgastando-os social e psicologicamente.

O que acontece?

São quatro eventos básicos, os quais ocorrem principalmente na unidade folicular:

1º- Os folículos pilosos ficam bloqueados por um excesso de células da pele que, combinadas com o sebo (uma substância oleosa que lubrifica a pele e pelos), formam esse “plug” que obstrui os folículos;

2º- As glândulas que produzem esse sebo são chamadas de glândulas sebáceas. Elas aumentam durante a adolescência, produzindo cada vez mais deste material. Algumas pessoas produzem mais do que outras;

3º- Esse aumento do sebo predispõe a uma maior colonização da bactéria chamada Cutibacterium acnes (antigamente chamada Propioniobacterium acnes);

4º- Devido a todos esses fatores, ocorre uma inflamação no folículo piloso, visto que ele não é acostumado a esse ambiente e nosso corpo responde como se fosse um “corpo estranho”.

E quais são as causas?

- Fatores hormonais são diferentes durante a adolescência, o que é normal. Algumas pessoas podem ter alguma doença predispondo a essas alterações hormonais, sendo a mais comum a Síndrome dos Ovários Policísticos.

Para o diagnóstico correto é necessário sempre uma avaliação médica.

A acne pode persistir na idade adulta e mulheres geralmente apresentam uma piora no período pré-menstrual.

- Fatores externos como uso de cosméticos não adequados para cada tipo de pele. O uso incorreto de sabonetes muito adstringentes pode dar um falso engano de melhora, mas eles não diminuem a produção do sebo, podendo causar efeito rebote.

- Dieta: apesar de controverso, uma dieta rica em leite de vaca parece aumentar o risco de acne. Além disso, alimentos com alto índice glicêmico como carboidratos refinados parecem ter um papel significativo na acne.

- Estresse: provavelmente pode piorar a acne.

E o tratamento?

Deve ser sempre individualizado, dependendo de vários aspectos de cada paciente, sendo que muitas vezes são necessários tratamentos combinados. A melhora será vista depois de 2 a 3 meses, pois o folículo pilossebáceo demora 8 semanas para maturar completamente.

- Higiene da pele: lavar o rosto de manhã, antes de aplicar os produtos prescritos e à noite, também antes de aplicar os produtos prescritos pelo dermatologista.

Usar o sabonete indicado e evitar água quente. Evitar uma lavagem muito vigorosa pois pode machucar a superfície da pele e piorar a acne.

Atenção: não aperte ou esprema as lesões, pois pode piorar e deixar cicatriz.

- Protetor solar: vários dos tratamentos prescritos pelos dermatologistas para acne aumentam a sensibilidade ao sol (como os retinoides e a doxiciclina), por isso sempre use o protetor solar indicado e evite se expor ao sol sempre que possível.

Os tratamentos na forma de cremes ou géis mais usados incluem retinóides como adapaleno e tretinoína, antibióticos como clindamicina, peróxido de benzoíla, entre outros.

Alguns nomes comerciais incluem Epiduo ou DerivaC micro.

No início do tratamento eles podem ser um pouco irritantes e causar leve descamação.

Geralmente oriento usar inicialmente em noites alternadas até a pele se adaptar, e então iniciamos o uso todas as noites.

Usar sempre depois de um hidratante, também ajuda a aumentar a tolerabilidade, sendo que a maioria dos pacientes consegue se adaptar.

Para pacientes que não conseguem se adaptar ou que possuem uma doença mais leve, podemos utilizar tratamentos mais leves como ácido salicílico, ácido glicólico ou ácido azeláico.

Pacientes com doença moderada ou severa podem necessitar de tratamento sistêmico associado, seja com uso de antibióticos específicos, que tenham efeito anti-inflamatório associado, seja com o uso da isotretinoína (Roacutan).

Mulheres geralmente se beneficiam muito com o uso de anticoncepcionais hormonais, sendo necessário um acompanhamento com ginecologista associado.

Um seguimento adequado com confiança e boa relação médico paciente é fundamental para o sucesso terapêutico.

 


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